Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Hazel eyes

0 pessoas comentaram

J'adore
the feel...
the touch...

Of those lips
those hands
that skin
so soft...
next to mine

Those beautiful
hazel eyes
observing my desire burn

The minutes colapse
in a time warp
and it ends
in the beginning...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Caminho

2 pessoas comentaram

O caminho
      caminha
             pelas paredes
   pelo chão
   pelo céu

            O caminhante
caminha
              pelo caminho

                  O caminhante
            não tem prumo

           O caminho
  não tem rumo

Os horizontes não têm fim...

A suspiradora de palavras

0 pessoas comentaram
 Para Kátia Möller

Lady Macbeth
Menina má
Madame Bovary
Alice
tantas personagens
em um só corpo...
permeadas pela (i)racionalidade da existência

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

0 pessoas comentaram

corpos entrelaçados
saciam
desejos molhados

loucamente sonhados

na plenitude da carne
                    do cerne
                    do corpo
                    do coito

linha tênue entre razão
                                e
                           emoção

dois corpos perdidos
na imensidão...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

0 pessoas comentaram


Aprofundando o silêncio...

Despertando os sentidos...

A Palavra aquece
A Palavra habita
A Palavra enternece

e

Desconhece...

...qualquer barreira

Transborda
de sentidos
      .!!

terça-feira, 13 de março de 2012

Noite

0 pessoas comentaram

insólita
insólida

de plumas
de brumas

sinto
não vejo

um beijo
um lampejo

acordo
só...

com o meu desejo

[By eu]
Imagem: Noite estrelada - Van Gogh

domingo, 11 de março de 2012

Sei

3 pessoas comentaram

Sei que quero
que o Sol pare de brilhar
que o vento pare de ventar

Sei que quero
que todos relógios do mundo parem

Que tudo pare
Que tudo silencie
Que tudo ensurdeça
... e me enlouqueça

Por infinitos instantes...
Por infinitos segundos...
Por infinitos minutos...
Por infinitos infinitos...

Só sei
que tudo quero... e nada sei
e como quero o que não se tem

Então
Que os instantes sejam eternos...


[By eu]
 Imagem: A Persistência da Memória - Salvador Dalí

terça-feira, 15 de março de 2011

O Boca do Inferno

1 pessoas comentaram
Sim, sei que sou uma blogueira relapsa, mas fazer o que né? Escrevo, não nego, posto quando puder. hehe

------------------------------------------------------
Hoje o post é sobre poesia, mais especificamente sobre um poeta em especial: Gregório de Mattos, o Boca do Inferno.

Gregório de Mattos Guerra foi um poeta baiano do século XVII, considerado o maior poeta barroco do Brasil e um dos mais importantes satíricos em língua portuguesa.

O porquê do singelo apelido? Matos começou a ser chamado de Boca do Inferno em decorrência de suas poesias sempre tão críticas à igreja, padres e freiras... Geralmente dizendo algo como:


Ao Mesmo Assumpto e na Mesma Occasião
 
Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido,
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado,

A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada

Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história:

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,

Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

ou

Define o poeta os maus modos de obrar na  governança da Bahia, 
principalmente naquela universal fome que padecia a cidade

Que falta nesta cidade? ... Verdade.
Que mais por sua desonra? ... Honra.
Falta mais que se lhe ponha? ... Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade, onde falta
Verdade, honra, vergonha.

Quem a pôs neste socrócio? ... Negócio.
Quem causa tal perdição? ... Ambição.
E o maior desta loucura? ... Usura.

Notável desaventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe que o perdeu
Negócio, ambição, usura.

Quais são meus doces objetos? ... Pretos.
Tem outros bens mais maciços? ... Mestiços.
Quais destes lhe são mais gratos? ... Mulatos.

Dou ao Demo os insensatos,
Dou ao demo o povo asnal,
Que estima por cabedal
Pretos, mestiços, mulatos.

Quem faz os círios mesquinhos? ... Meirinhos.
Quem faz as farinhas tardas? ... Guardas.
Quem as tem nos aposentos? ... Sargentos.

Os círios lá vêm aos centos,
E a terra fica esfaimada,
porque os vão atravessando
Meirinhos, guardas, sargentos.

E que justiça a resguarda? ... Bastarda.
É grátis distribuída? ... Vendida.
Que tem, que a todos assusta? ... Injusta.

Valha-nos Deus, o que custa
O que El-Rei nos dá de graça,
Que anda a justiça na praça
Bastarda, vendida, injusta.

Que vai pela clerezia? ... Simonia.
E pelos membros da Igreja? ... Inveja.
Cuidei, que mais se lhe punha? ... Unha.

Sazonada caramunha!
Enfim, que na Santa Sé
O que se pratica, é
Simonia, inveja, unha.

E nos frades há manqueiras? ... Freiras.
Em que ocupam os serões? ... Sermões.
Não se ocupam em disputas? ... Putas.

Com palavras dissolutas
Me concluo na verdade,
Que as lidas todas de um frade
São freiras, sermões, e putas.

O açúcar já se acabou? ... Baixou.
E o dinheiro se extinguiu? ... Subiu.
Logo já convalesceu? ... Morreu.

À Bahia aconteceu
O que a um doente acontece:
Cai na cama, e o mal lhe cresce,
Baixou, subiu, e morreu.

A Câmara não acode? ... Não pode.
Pois não tem todo o poder? ... Não quer.
É que o governo a convence? ... Não vence.

Quem haverá que tal pense,
Que uma Câmara tão nobre
Por ver-se mísera, e pobre
Não pode, não quer, não vence!

ou ainda

Definição do Amor

Mandai-me Senhores, hoje
que em breves rasgos descreva
do Amor a ilustre prosápia,
e de Cupido as proezas.

Dizem que de clara escuma,

dizem que do mar nascera,
que pegam debaixo d’águaas

armas que o amor carrega.

O arco talvez de pipa,

a seta talvez esteira,
despido como um maroto,
cego como uma toupeira

E isto é o Amor? É um corno.

Isto é o Cupido? Má peça.
Aconselho que não comprem
Ainda que lhe achem venda

O amor é finalmente

um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias

Uma confusão de bocas,

uma batalha de veias,
um reboliço de ancas,
quem diz outra coisa é besta.


Quem mais teria coragem de falar todas essas coisas lá em mil seiscentos e lá vai pedrada? Gregório de Matos é meu herói, haha.
Se quiserem ler mais poemas desse maravilhoso artista acessem o site memória viva.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...