terça-feira, 22 de junho de 2010

O aquário

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Escrevi isso a mais ou menos um ano atrás - ouvindo música francesa e tendo faniquitos -. Sabem aqueles surtos depressivos em que ficamos super poéticos? Pois é... algo do gênero.

Obs.: No final do post tem um vídeo com a adaptação de um texto Mário Quintana que acho muito bonito e que tem a ver com a história.


O aquário

Dor, felicidade, amor, vida, ódio, ganância, castigo, morte, confiança, tristeza, pensamento, sentimento... O que é a vida? E como vivê-la?

Eterna coadjuvante de minha própria existência, encontrei uma razão para viver, mas o que fazer ao pensar que essa razão pode morrer? Valeria a pena continuar vivendo caso isso acontecesse? Ó coração tolo, que teima em misturar as coisas, entenda que sua felicidade não é mais sua, só dela...

Passam-se os anos, olho para trás, tantas palavras que não deveriam ter sido ditas, as que deveriam e não foram, sonhos esquecidos, sorrisos perdidos... dias, horas, meses, anos... agora apenas vaga lembranças. Será que eu era mais feliz nos tempos de infância? Brincadeiras solitárias com pequenos bonequinhos, desenhos exagerados, formas modeladas em massinhas coloridas... Talvez eu apenas visse as coisas de forma mais simples... Há quem diga que pessoas não "são" felizes, "estão" felizes, eu, de certa forma concordo com isso, felicidade é um estado de espírito, você pode ter "tudo" e ver que não se sente feliz, nem ver felicidade em mais nada, se acostumar a não interagir com a própria vida, apenas sentar e vê-la passar... ou pode não ter nada, mas ficar feliz ao ver um sorriso sincero vindo da pessoa amada... a felicidade está nas pequenas coisas.

Tempos mudam, pessoas mudam... - mais do que eu gostaria, diga-se de passagem - mas eu também mudei, com o passar dos anos meus gostos, pensamentos, sonhos e opiniões foram se modificando, mas ainda sim, como na fábula da rã e do escorpião, a natureza permanece intacta. Faz parte da natureza do escorpião destilar seu veneno, assim como faz parte da natureza da águia voar, da natureza do peixe nadar, da natureza do pequeno pássaro cantar... Mesmo preso em uma gaiola, sabendo que nunca poderá ser livre para viver com os outros pássaros.

É da natureza do pássaro cantar... e da minha, mesmo aprisionada em um aquário dentro do mar virtual, amar-te, eternamente, até o fim de meus dias.
Um peixe... enamorado de um pássaro...




*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
Velha História - Mário Quintana

sábado, 12 de junho de 2010

Os 10 melhores "Opening Credits"

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Hoje farei um post um pouco diferente.
Estava já a algum tempo pensando em fazer um post do tipo "top 10", então resolvi fazer uma lista dos melhores créditos de abertura que já assisti.
Espero que gostem =)

Enjoy!

1 - Watchmen


Esta é, com certeza, a melhor sequência de abertura que eu já vi. Maravilhosamente bem feita, mostra vários fatos históricos sendo alterados ou causados por atos dos "vigilantes". No final do post podem acompanhar um vídeo com explicações de tudo que é citado nessa sequência de Watchmen.
Obs.: Destaque para a cena inicial onde um dos vigilantes salva o pai de Bruce Wayne, impedindo assim o surgimento do Batman e para a referência à Santa Ceia.

2 - Laranja Mecânica



Stanley Kubrick era um gênio, nem preciso comentar.
O contraste de cores... a música... a cara de psicótico do Malcomn McDowell, tudo isso faz dessa sequência um clássico do cinema.

3 - Perfume - A História de Um Assassino

Filme maravilhoso dirigido com maestria por Tom Tykwer (Corra Lola, Corra - que também está presente aqui na lista) e baseado no livro homônimo de Patrick Süskind, ao qual segue fielmente.
O filme abusa das cores, dos contrastes, dos closes... tudo isso para dar a noção de cheiros ao espectador. A abertura já mostra exatamente o que devemos saber sobre Grenouille... o rosto dele, quem ele é... não importa, só o olfato importa., o personagem é o que cheira e ele vive - e mata - por isso.
Obs.: Não encontrei apenas os créditos, então comentei a abertura como um todo. Para quem tiver interesse, o resto do filme está nos vídeos relacionados.

4 - Star Wars

Creio que por ser uma das mais famosas sequências de abertura da história do cinema. dispensa maiores comentários. hehe

5 - Zumbilândia

Forma de abertura semelhante a de Watchmen e tão bem feita quanto.
Muito interessante a maneira como utilizaram o efeito de câmera lenta, sem falar na idéia de colocar zumbis nas situações mais improváveis, como casamentos, incêndios, gincanas escolares etc... o que já dá desde o início, de forma mais elaborada, o tom de comédia que o filme propõe.

6 - O Diário de Uma Babá

Primeiramente gostaria de avisar a você que está pensando: "O quê??? Comédia romântica? Nãããão! Volte para o lado negro da força!" que sim, comédias românticas podem ser legais quando bem feitas e essa é um ótimo exemplo disso.
Eu acho maravilhosa e super inteligente a forma como fizeram a abertura desse filme. A idéia de colocar as pessoas como exemplares de museu das quais a personagem principal (que é antropóloga) narra o comportamento da espécie é ótima.
O filme é baseado no livro The Nanny Diaries de Nicola Kraus e Emma McLaughlin e tem Alicia Keys no elenco.

- Pode ser encontrado inteiro no youtube.

7 - Corra Lola, Corra

Também do diretor Tom Tykwer, esse é um filme muito interessante que retrata bem a idéia de tempo, velocidade, sincronia; Rent Lolla, Rent também faz um mix de filme com animação.
Creio que esses opening credits já definem o que se deve esperar do filme.
Destaque para a trilha sonora techno que encaixa perfeitamente no contexto da obra.

8 - Fahrenheit 451

(Não se assustem com o tamanho, a abertura é apenas o primeiro minuto do vídeo)
Filme de François Truffaut, baseado no livro de Ray Bradbury.
Fahrenheit 451 se passa em um futuro próximo onde ler é algo ilegal, as pessoas assistem e interagem com suas TV's e os bombeiros são encarregados de queimar livros.
A abertura desse filme é interessante justamente pelo fato de não haver nada "legível", todos os créditos são falados enquanto é enfatizada a idéia de que todas as casas tem antenas de TV.
Filme muuuuito bom.

9 - Grandes Esperanças (1998)


Dirigido por Alfonso Cuarón, Grandes Esperanças é uma adaptação moderna da obra de Charles Dickens, o filme é de uma sensibilidade extrema e consegue tocar o especatador através da união de sons e imagens conduzidos de forma impecável pelo diretor.
Um dos filmes mais lindos que já assisti (e um dos únicos a me fazer chorar, diga-se de passagem). Super recomendado!
- Não consegui a abertura inteira com as pinturas lindas que aparecem no início, assim que eu conseguir, posto aqui, mas acho que já da pra ter uma idéia pelo trechinho acima -

10 - Alien


Um filme que foi feito com um orçamento baixíssimo e que se tornou um clássico da ficção científica. Os créditos juntamente com a trilha sonora levam o espectador para a atmosfera de tensão que vai se estender por todo o filme.

Menção honrosa - Planeta Terror

A abertura desse filme já vale pelo cuidado do diretor Robert Rodriguez em relação a imagem e a trilha sonora; as falhas e a aparência corroída do filme... toda essa questão... Afinal foi o próprio Robert que criou a trilha sonora e editou o filme.
Diretores Bombril não se acham em qualquer lugar. hehe

Obs.: O fato da abertura mostrar que a personagem principal é uma dançarina é um ponto interessante, uma vez que ela perde a perna no decorrer do filme.

- Referências Watchmen


quarta-feira, 28 de abril de 2010

O Corvo - Tradução de Machado de Assis

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Em certo dia, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais".
Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;

Cada brasa do lar sobre o colchão refletia
A sua última agonia.
Eu ansioso pelo Sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará mais.

E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui, no peito,
Levantei-me de pronto, e
"Com efeito, (Disse), é visita amiga e retardada "
Que bate a estas horas tais.
"É visita que pede à minha porta entrada:
"Há de ser isso e nada mais".

Minh'alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo, e desta sorte
Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
"Mas como eu, precisando de descanso "
Já cochilava, e tão de manso e manso,
"Batestes, não fui logo, prestemente, "
Certificar-me que aí estais".
Disse; a porta escancar, acho a noite somente,
somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra
Que me amedronta, que me assombra.
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, com um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro co'a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
"Seguramente, há na janela
Älguma coisa que sussurra. Abramos,
"Eia, fora o temor, eia, vejamos
"A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais,
"Devolvamos a paz ao coração medroso,
"Obra do vento, e nada mais".

Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante.
Tinha o aspecto de um lord ou de uma lady.
E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta em um busto de Palas:
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gosto severo, - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas
"Vens, embora a cabeça nua tragas,
"Sem topete, não és ave medrosa,
"Dize os teus nomes senhoriais;
"Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o corvo disse: "Nunca mais".

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que eu lhe fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Coisa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta a dizer em resposta
Que este é seu nome: "Nunca mais".

No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário.
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda sua alma resumisse,
Nenhuma outra proferiu, nenhuma.
Não chegou a mecher uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
"Tantos amigos tão leais!
"Perderei também este em regressando a aurora".
E o corvo disse: "Nunca mais!"

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
"Que ele trouxe da convivência
"De algum mestre infeliz e acabrunhado
"Que o implacável destino há castigado
"Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
"Que dos seus cantos usuais
"Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
"Esse estribilho: "Nunca mais".

Segunda vez nesse momento
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
E, mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera,
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais".

Assim pôsto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranqüilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da Lâmpada caíam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam
E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível:
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
"Manda repouso à dor que te devora
"Destas saudades imortais.
"Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora".
E o corvo disse: "Nunca mais".

"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta sempre, escuta:
Ou venhas tu do inferno
"Onde reside o mal eterno,
"Ou simplesmente náufrago escapado
"Venhas do temporal que te há lançado
"Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
"Tem os seus lares triunfais,
"Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?"
E o corvo disse: "Nunca mais".

"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
"Por esse céu que além se estende,
"Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
"Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
"No Éden celeste a virgem que ela chora
"Nestes retiros sepulcrais,
"Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"
E o corvo disse: "Nunca mais!"

"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Cessa, ai, cessa! (clamei, levantando-me) cessa!
"Regressando ao temporal, regressa
"À tua noite, deixa-me comigo...
"Vai-te, não fique no meu casto abrigo
"Pluma que lembre essa mentira tua.
"Tira-me ao peito essas fatais
"Garras que abrindo vão a minha dor já crua"
E o corvo disse: "Nunca mais".

E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Blondie - Maria (com tradução)

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Amo essa música, entonces resolvi postar ela traduzida aqui no blog. Aproveito e já posto algumas informações sobre a banda.



Blondie é um banda que estourou no final dos anos 70 / início dos anos 80.

Após se conhecerem na banda The Stilettos, Deborah Harry e Chris Stein formaram os Angel and the Snakes. Estes integravam o baterista Clem Burke, Jimmy Destri no teclado e o baixista Gary Valentine, mudando depois o nome para Blondie, inspirado pelos comentários de caminhoneiros que frequentemente gritavam "Hey Blondie!" para Deborah ao passar na estrada.

Começaram por tocar no Club 51 em Nova Iorque e lançaram o seu álbum de estréia, Blondie, em 1976, que alcançou sucesso comercial primeiramente no Reino Unido. Plastic Letters, o segundo disco da banda alcançou duas músicas nas paradas britânicas. Em 1978, através do sucesso Heart of Glass, a banda alcançou sucesso mundial, tornando-se um dos ícones do New Wave. Voltaram a fazer sucesso com a música Call Me, de Giorgio Moroder, que foi tema do filme Gigolô Americano. Depois de problemas internos, reuniram-se em 1982 para lançar The Hunter e pôr um fim temporário à banda, que só voltaria a gravar em 1999, com o grande sucesso de Maria, do álbum No Exit.

Fonte: Wikipédia

sábado, 2 de janeiro de 2010

Anticristo

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Em um caótico ensaio sobre medo, loucura e obsessão, Lars von Trier nos apresenta um casal abalado pela morte de seu único filho. A mulher (Charlotte Gainsbourg), uma escritora, não consegue se livrar do sentimento de culpa causado pela morte da criança; o marido, um psicanalista(Willen Dafoe), resolve quebrar as barreiras éticas e tentar ajudar sua esposa tomando-a como sua paciente.

Como um dos trabalhos do diretor em que ele melhor aproveita os recursos de imagem, som e edição, extraindo o máximo das técnicas de narrativa visual, o filme é dividido em seis partes: Prólogo, Dor, Luto, Desespero, Os Três Mendigos e Epílogo; das quais apenas o Prólogo e o Epílogo não se passam na floresta de Éden, local em que a família tem uma casa de campo.

Anticristo é, sem sombras de dúvida, um filme polêmico e perturbador, que choca por sua forma crua de expor os fatos. Não é um filme recomendado para todos os públicos, mas para as pessoas que não têm problemas com cenas de sexo e violência um tanto quanto extrema, assistí-lo é uma experiência interessante e devastadora, na qual o espectador mergulha no universo cruel e decadente dos personagens e na obscuridade do Éden.

Informações Técnicas
Título no Brasil: Anticristo
Título Original: Antichrist
País de Origem: Dinamarca/Alemanha/França/Suécia/Itália/Polonia
Gênero: Terror
Tempo de Duração: 109 minutos
Ano de Lançamento: 2009
Estréia no Brasil: 28/08/2009
Site Oficial: http://www.antichristthemovie.com
Estúdio/Distrib.: Califórnia FilmesDireção: Lars von Trier
Elenco: Willen Dafoe / Charlotte Gainsburg

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

The Raven

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The Raven
(O Corvo)
- Edgar Allan Poe -

Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
"'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door-
Only this, and nothing more."

Ah, distinctly I remember it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow;- vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow- sorrow for the lost Lenore-
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore-
Nameless here for evermore.
And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me- filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating,
"'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door-
Some late visitor entreating entrance at my chamber door;-
This it is, and nothing more."

Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
"Sir," said I, "or Madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you"- here I opened wide the door;-
Darkness there, and nothing more.
Deep into that darkness peering, long I stood there wondering, fearing,
Doubting, dreaming dreams no mortals ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word, "Lenore!"
This I whispered, and an echo murmured back the word, "Lenore!"-
Merely this, and nothing more.

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping somewhat louder than before.
"Surely," said I, "surely that is something at my window lattice:
Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore-
Let my heart be still a moment and this mystery explore;-
'Tis the wind and nothing more."
Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven of the saintly days of yore;
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door-
Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door-
Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore.
"Though thy crest be shorn and shaven, thou," I said, "art sure no craven,
Ghastly grim and ancient raven wandering from the Nightly shore-
Tell me what thy lordly name is on the Night's Plutonian shore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."
Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning- little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blest with seeing bird above his chamber door-
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,
With such name as "Nevermore."

But the raven, sitting lonely on the placid bust, spoke only
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered- not a feather then he fluttered-
Till I scarcely more than muttered, "other friends have flown before-
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before."
Then the bird said, "Nevermore."

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
"Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master whom unmerciful Disaster
Followed fast and followed faster till his songs one burden bore-
Till the dirges of his Hope that melancholy burden bore
Of 'Never- nevermore'."

But the Raven still beguiling all my fancy into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird, and bust and door;
Then upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore-
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt and ominous bird of yore
Meant in croaking "Nevermore."
This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet lining that the lamplight gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o'er,
She shall press, ah, nevermore!

Then methought the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by Seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor.
"Wretch," I cried, "thy God hath lent thee- by these angels he hath sent thee
Respite- respite and nepenthe, from thy memories of Lenore!
Quaff, oh quaff this kind nepenthe and forget this lost Lenore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

"Prophet!" said I, "thing of evil!- prophet still, if bird or devil!-
Whether Tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate yet all undaunted, on this desert land enchanted-
On this home by horror haunted- tell me truly, I implore-
Is there- is there balm in Gilead?- tell me- tell me, I implore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

"Prophet!" said I, "thing of evil- prophet still, if bird or devil!
By that Heaven that bends above us- by that God we both adore-
Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden whom the angels name Lenore-
Clasp a rare and radiant maiden whom the angels name Lenore."
Quoth the Raven, "Nevermore."
"Be that word our sign in parting, bird or fiend," I shrieked, upstarting-
"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken!
Leave my loneliness unbroken!- quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

And the Raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
And the lamplight o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted- nevermore!
Ver todas as ilustrações feitas por Gustave Doré para o conto.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Literatura e cinema

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A literatura por si só é magnífica, pois consegue construir um universo em que o leitor se perde, descobrindo novos mundos, personagens e histórias; viajando pelo desconhecido sem sair de sua casa. O livro é o objeto mágico que, além de transportar as pessoas a esses lugares e épocas com um simples virar de páginas, abriga o desconhecido, nunca se sabe que aventuras serão encontradas nas páginas seguintes. O escritor é a peça-chave disso tudo, o mago que controla o passado, o presente e o futuro da narrativa, nada existiria sem ele; nem o Sol, as estrelas, os planetas ou os seres, ele é o criador de tudo... Onipresente e sempre pronto a colocar uma vírgula, um ponto ou o temido “fim” na última página.

O cinema, assim como a Literatura, é uma forma de arte, quanto a isso não há dúvidas. Ao sentar em uma poltrona, na sala escura do cinema ou mesmo em casa em frente à TV, para assistir a um filme, o espectador é quase que hipnotizado, dominado e, ao mesmo tempo, fascinado pela linguagem das imagens, como acontece na “Alegoria da caverna”, de Platão. Filmes provocam sensações, emoções e pensamentos na platéia, fazendo-a crer nas informações passadas na tela, transportando-a para o universo fílmico. Unir esse dois mundos em uma única obra é um feito inigualável, que reúne o poder das palavras com as imagens, cores e sons do cinema, representando a história da melhor forma possível, utilizando tanto os recursos fílmicos quanto os literários.

Adaptações são necessárias para a transposição da forma escrita para uma forma visual, mais dinâmica, em que nem tudo precisa ser “falado” e emoções podem ser transmitidas por olhares e gestos. Um livro não passa ao leitor a mesma idéia visual que um filme, o escritor se mune de palavras para descrever seus personagens, lugares e passagens, dando a cada pessoa a liberdade de imaginar o universo presente no livro de sua forma pessoal; independentemente da opinião do autor, após escrito, cada personagem é imaginado de uma forma diferente, na individualidade do leitor.

Assim como diz Juracy Saraiva no livro Narrativas verbais e visuais: leituras refletidas, a narrativa fílmica mostra para narrar e a literária narra para mostrar*. O cinema não é “melhor” que a literatura, nem a literatura é “melhor” que o cinema. São formas artísticas diferentes, independentes até, que podem seguir sua trajetória tanto separadas como se complementarem, criando uma obra de arte única. E usando as palavras de Marinês Kunz, retiradas do mesmo livro, a mimese da mimese tem, portanto, brilho próprio na medida em que, simultaneamente, depende e independe do texto original**.

*SARAIVA, Juracy Assmann. Literatura e cinema: encontro de linguagens in Narrativas verbais e visuais: Leituras Refletidas – São Leopoldo: Editora Unisinos, 2003. p.26
**KUNZ, Marinês Andrea. Literatura e cinema: encontro de linguagens in Narrativas verbais e visuais: Leituras Refletidas – São Leopoldo: Editora Unisinos, 2003. p.65.

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