segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Hazel eyes

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J'adore
the feel...
the touch...

Of those lips
those hands
that skin
so soft...
next to mine

Those beautiful
hazel eyes
observing my desire burn

The minutes colapse
in a time warp
and it ends
in the beginning...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Caminho

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O caminho
      caminha
             pelas paredes
   pelo chão
   pelo céu

            O caminhante
caminha
              pelo caminho

                  O caminhante
            não tem prumo

           O caminho
  não tem rumo

Os horizontes não têm fim...

A suspiradora de palavras

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 Para Kátia Möller

Lady Macbeth
Menina má
Madame Bovary
Alice
tantas personagens
em um só corpo...
permeadas pela (i)racionalidade da existência

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

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corpos entrelaçados
saciam
desejos molhados

loucamente sonhados

na plenitude da carne
                    do cerne
                    do corpo
                    do coito

linha tênue entre razão
                                e
                           emoção

dois corpos perdidos
na imensidão...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

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Reinvenções cotidianas
práticas mundanas...

Desequilíbrio e ode à loucura
seriam possíveis
em meio a tanta doçura?

Um devaneio fugaz
unindo passado, presente e futuro
nos labirintos da memória...
calmaria aqui jaz.

Nunca mais

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Se adentrasse em tal castelo
agora ausente de sombras sepulcrais
o corvo não teria coragem
de pronunciar palavras tais

Habitado pela poesia
a palavra nele já não caberia
e em seu grasnar transbordaria
pelos jardins celestiais

Todos se espantariam ao ouvir
os novos dizeres da ave do jamais
que nada repetiria
além de infinitos ais...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A caça e o caçador

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 No alto da rochosa montanha
a fera estava a espreita

Os olhos amarelos do puma observavam a paisagem

Nenhum ruído se ouvia...
a mata rala estava no mais completo silêncio...

Quando de repente
não mais que de repente...

A fera atacou!!

A vítima nada pode fazer...
não teve tempo de reagir.

O puma jazia indefeso a seus pés...


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Aprofundando o silêncio...

Despertando os sentidos...

A Palavra aquece
A Palavra habita
A Palavra enternece

e

Desconhece...

...qualquer barreira

Transborda
de sentidos
      .!!

domingo, 8 de julho de 2012

Versum

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Para a mais intensa
habitadora da Palavra
que já conheci
....



Era uma vez um imperador... que vivia em um suntuoso castelo, sempre cercado por seus súditos. Até que, em um dia quente de outono, ventos do norte trouxeram, junto com folhas a voar, palavras... não simples palavras a pairarem despercebidas... mas palavras habitadas do mais puro sentido. Essas palavras pousaram no castelo e transformaram a existência do rei e, porque não dizer, de todo aquele povoado.

Palavras belas, palavras ágeis, palavras fortes... palavras intensas... até então o rei nunca havia imaginado o quanto sua vida havia sido vazia, seu poder não era nada comparado ao poder e a beleza da Palavra. Como Ela era poderosa...

Os súditos estranhavam as mudanças de humor de seu soberano, a proximidade com as palavras e suas habitações o fazia sorrir mesmo no mais cinzento dos dias. Como isso era possível? “O rei está louco” diziam alguns, “está enfeitiçado” diziam outros... o que as pessoas não conseguiam compreender era que ele estava, puramente,  no mais pleno estado de graça. O rei estava feliz.

No cândido castelo de cartas, cheio de azes, valetes e peões, as palavras ecoavam pelos corredores, trazendo novos fulgores e novas cores... a transformação havia sido feita... o castelo estava, finalmente, habitado. De todo o sentido. 

A Palavra eternizou.

terça-feira, 13 de março de 2012

Noite

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insólita
insólida

de plumas
de brumas

sinto
não vejo

um beijo
um lampejo

acordo
só...

com o meu desejo

[By eu]
Imagem: Noite estrelada - Van Gogh

domingo, 11 de março de 2012

Sei

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Sei que quero
que o Sol pare de brilhar
que o vento pare de ventar

Sei que quero
que todos relógios do mundo parem

Que tudo pare
Que tudo silencie
Que tudo ensurdeça
... e me enlouqueça

Por infinitos instantes...
Por infinitos segundos...
Por infinitos minutos...
Por infinitos infinitos...

Só sei
que tudo quero... e nada sei
e como quero o que não se tem

Então
Que os instantes sejam eternos...


[By eu]
 Imagem: A Persistência da Memória - Salvador Dalí

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Pulp

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Conheci essa banda pela trilha sonora do filme Grandes Esperanças (de 1998, maravilhosamente dirigido por Alfonso Cuarón). Pulp tem um som diferente e músicas muito interessantes. Fica a dica.^^


Pulp é uma banda britpop, de Sheffield, Inglaterra, formada em 1978 pelo então estudante de 15 anos Jarvis Cocker. Inicialmente a banda teve o nome "Arabacus Pulp".

Sua fama praticamente se restringiu ao Reino Unido, onde sua mistura de pop-rock influenciado pela disco music com as letras de Jarvis os tornou popular na metade da década de 1990. Entre os seus êxitos estão temas como Disco 2000 (1995), Common People (1995) e This is Hardcore (1998).

Entre as influências citadas pela banda estão David Bowie, The Cure, The Beatles e The Kinks. Após um tempo longe dos palcos, quase dez anos, os Pulp retornam em grande estilo com sua formação original, a estréia foi no Primavera Sound Festival, dia 27/05/2011. [fonte]

terça-feira, 15 de março de 2011

O Boca do Inferno

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Sim, sei que sou uma blogueira relapsa, mas fazer o que né? Escrevo, não nego, posto quando puder. hehe

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Hoje o post é sobre poesia, mais especificamente sobre um poeta em especial: Gregório de Mattos, o Boca do Inferno.

Gregório de Mattos Guerra foi um poeta baiano do século XVII, considerado o maior poeta barroco do Brasil e um dos mais importantes satíricos em língua portuguesa.

O porquê do singelo apelido? Matos começou a ser chamado de Boca do Inferno em decorrência de suas poesias sempre tão críticas à igreja, padres e freiras... Geralmente dizendo algo como:


Ao Mesmo Assumpto e na Mesma Occasião
 
Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido,
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado,

A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada

Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história:

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,

Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

ou

Define o poeta os maus modos de obrar na  governança da Bahia, 
principalmente naquela universal fome que padecia a cidade

Que falta nesta cidade? ... Verdade.
Que mais por sua desonra? ... Honra.
Falta mais que se lhe ponha? ... Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade, onde falta
Verdade, honra, vergonha.

Quem a pôs neste socrócio? ... Negócio.
Quem causa tal perdição? ... Ambição.
E o maior desta loucura? ... Usura.

Notável desaventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe que o perdeu
Negócio, ambição, usura.

Quais são meus doces objetos? ... Pretos.
Tem outros bens mais maciços? ... Mestiços.
Quais destes lhe são mais gratos? ... Mulatos.

Dou ao Demo os insensatos,
Dou ao demo o povo asnal,
Que estima por cabedal
Pretos, mestiços, mulatos.

Quem faz os círios mesquinhos? ... Meirinhos.
Quem faz as farinhas tardas? ... Guardas.
Quem as tem nos aposentos? ... Sargentos.

Os círios lá vêm aos centos,
E a terra fica esfaimada,
porque os vão atravessando
Meirinhos, guardas, sargentos.

E que justiça a resguarda? ... Bastarda.
É grátis distribuída? ... Vendida.
Que tem, que a todos assusta? ... Injusta.

Valha-nos Deus, o que custa
O que El-Rei nos dá de graça,
Que anda a justiça na praça
Bastarda, vendida, injusta.

Que vai pela clerezia? ... Simonia.
E pelos membros da Igreja? ... Inveja.
Cuidei, que mais se lhe punha? ... Unha.

Sazonada caramunha!
Enfim, que na Santa Sé
O que se pratica, é
Simonia, inveja, unha.

E nos frades há manqueiras? ... Freiras.
Em que ocupam os serões? ... Sermões.
Não se ocupam em disputas? ... Putas.

Com palavras dissolutas
Me concluo na verdade,
Que as lidas todas de um frade
São freiras, sermões, e putas.

O açúcar já se acabou? ... Baixou.
E o dinheiro se extinguiu? ... Subiu.
Logo já convalesceu? ... Morreu.

À Bahia aconteceu
O que a um doente acontece:
Cai na cama, e o mal lhe cresce,
Baixou, subiu, e morreu.

A Câmara não acode? ... Não pode.
Pois não tem todo o poder? ... Não quer.
É que o governo a convence? ... Não vence.

Quem haverá que tal pense,
Que uma Câmara tão nobre
Por ver-se mísera, e pobre
Não pode, não quer, não vence!

ou ainda

Definição do Amor

Mandai-me Senhores, hoje
que em breves rasgos descreva
do Amor a ilustre prosápia,
e de Cupido as proezas.

Dizem que de clara escuma,

dizem que do mar nascera,
que pegam debaixo d’águaas

armas que o amor carrega.

O arco talvez de pipa,

a seta talvez esteira,
despido como um maroto,
cego como uma toupeira

E isto é o Amor? É um corno.

Isto é o Cupido? Má peça.
Aconselho que não comprem
Ainda que lhe achem venda

O amor é finalmente

um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias

Uma confusão de bocas,

uma batalha de veias,
um reboliço de ancas,
quem diz outra coisa é besta.


Quem mais teria coragem de falar todas essas coisas lá em mil seiscentos e lá vai pedrada? Gregório de Matos é meu herói, haha.
Se quiserem ler mais poemas desse maravilhoso artista acessem o site memória viva.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Pulp - Like a friend

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A postagem de hoje é musical.
A alguns anos assisti pel primeira vez o filme Grandes Esperanças [por sinal recentemente consegui o dvd] e me encantei, nao só pela forma maravilhosa como foi produzido mas também pela trilha sonora.
Essa é uma das músicas mais legais do álbum, entonces resolvi postar aqui juntamente com o clipe [que tem cenas do filme].


Don't bother saying sorry
Why don't you come in?
Smoke all my cigarettes - again.
Everytime I get no further
How long has it been?
Come on in now
Wipe your feeton my dreams.

You take up my time
Like some cheap magazine
When I could have been
learning something
Well, you know what I mean.

I've done this before
And will do it again
C'mon and kill me baby
Whilst you smile like a friend
And I'll come running
Just to do it again.

I can't believe it
That this is still going on
Just how stupid can one person be?
Just how stupid and wrong
You are that last drink I never should have drunk
You are the body hidden in the trunk
You are the habit I can't seem to kick
You are my secrets on the front page every week.
You are the car I never should have bought
You are the train I never should have caught
You are the but that makes me hide my face
You are the party that makes me feel my age.

Like a car crash I can see but I just can't avoid
Like a plane I've been told I never should board
like a film that's so bad but
I've just got to stay 'til the end
Let me tell you -
it's lucky for you that we're friends.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Top 10 - Covers

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O povo que acessa o blog deve achar que eu estou fazendo jus ao nome. Andam escassos os posts. =P
Tentarei postar com mais frequência [e sim, tenho consciência de que sempre faço isso]

Um alô para a Gaby, do Girassol Eliptico, que sempre me pede novos posts. hehe
Creio que vai gostar desse.

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Well,
o assunto de hoje é muito interessante.
Resolvi reunir alguns dos que considero os mais interessantes covers da música aqui nesse top 10.
Espero que gostem.
Ah, e se tiverem alguma outra sugestão de cover legal deixem o nome nos comentários, certamente adorarei ouvir.

Agora...
aos covers.

1. H.I.M. - Wicked Game
Eu já acho a versão original dessa música bem legal, mas esse cover ficou perfeito! Duvido que não gostem.


Versão original
A música, de Chris Isaak, fez parte da trilha sonora do filme Coração Selvagem, de David Lynch, que popularizou a canção.

2. Rammstein - Striped
A banda alemã conseguiu deixar a música trilhões de vezes mais sexy. A voz de Till, vocalista do Rammstein, combina muito mais com letra da música do que a de David Gahan, na versão original do Depeche Mode.

A quesito de curiosidade... nesse vídeo foram utilizados trechos do filme Olympia, dirigido por Leni Riefenstahl que o filmou durante as Olimpiadas de 1936, o filme é considerado nazista por algumas pessoas pelo fato de Leni ter gravado o filme O Triunfo da Vontade(1934), propaganda do partido nazista feita à pedido de Hitler. Leni foi uma cineasta inovadora que revolucionou a forma de filmar pelos diferentes ângulos e close-ups que utilizava em seus filmes. (Estou fascinada pelo trabalho dessa mulher desde que assisti O Triunfo da Vontade, todas pessoas interessadas em cinema deveriam assistir aos filmes dela. Infelizmente ao término da guerra o trabalho dela foi boicotado em consequência das propagandas para a SS feitas anteriormente. =/) *Leni ganhou o Urso de Ouro, em Veneza, por Olympia.

Versão original

3. Children Of Bodom - Oops! I Did It Again
A banda conseguiu transformar a música da ex-princesinha da América em Death Metal! Só pela façanha já vale a pena ouvir o cover (que em minha singela opinião ficou bem melhor que o original, mas como gosto é gosto...). 
PS: Não parem de ler por acharem que só vai ter metal na lista, a lista terá outros estilos também, ok?





(essa não tem clipe).

Versão original

4. Nina Hagen e Nana Mouskouri - Lili Marleen
Descobri há alguns anos atrás essa versão da famosa canção alemã nas vozes de duas cantoras que admiro muito, Nina Hagen e Nana Mouskouri. 
Lili Marleen foi escrita originalmente como poesia em 1915, por Hans Leip, e musicada em 1938 por Norbert Schultze. À partir de 1939 a música se tornou praticamente um hino da 2ª Guerra Mundial, cantada na voz Lale Andersen, e adorada nos dois lados da batalha. A música é mais conhecida na voz de Marlene Dietrich, que começou a cantá-la em 1943. (Viram? O Resto é Silêncio também é cultura - Ah, e eu não falei que iam ter outros estilos musicais por aqui? hehe)


Versão original


5. Cássia Eller e Edson Cordeiro - I can't get no (Satisfaction) / A Rainha da Noite
Hááá, brazuca stuff! Sério, essa versão dos dois cantando um mix de rock com ópera ficou o máximo! Sem falar que HAJA VOZ para cantar A Rainha da Noite.oO Pena que não existem mais cantores nacionais assim.... se bem que mesmo que ainda houvessem, a maioria dos brasileiros não está nem aí pra esse tipo de música. Triste isso...

(Morcega, esse é pra ti. hehe)

Versões originais


Para A Rainha da Noite, que é de uma peça de Mozart (A flauta mágica), não acho que exista uma versão "original" cantada... entonces vou postar uma das encenações que eu acho mais perfeita, cantada pela italiana Luciana Serra.


6. Ramones - What a wonderful world
Mais um cover inusitado que ficou muuuuito legal. Ramones era muito bom. *-*


Versão original

7. Erasure - Take a chance on me
ABBA + Erasure = muitas risadas e música dançante de ótima qualidade. haha


Versão original

Ainda no clima de ABBA, já vou emendar um outro cover nessa posição hehehe... Fala sério, ABBA e metal são a combinação perfeita! \o/
Ah, e esse cd Metal ABBA é muuuuito bom, tem pra baixar na internet. Se alguém estiver interessado deixe um recadinho nos comments que eu posto o link.


Versão original

8. Angra - Wuthering Heights
Sim, você leu corretamente... é o Angra cantando a música da Kate Bush. E ficou muito boa a versão.
Achavam que só a Tetê Espíndola conseguia alcançar o tom dela, é? haha Dá-lhe André Matos!


Versão original
Tem um outro vídeo que é o mais conhecido. Mas esse vale muito a pena pela dancinha vodú.
Ok, ok... eu gosto da música, mas não pude evitar... a dancinha é muito estranha.

Agora ouvindo a versão original me lembrei das formaturas dos anos 90. Pelo menos 4 formandos por formatura escolhiam essa música. Velhos tempos, haha.


9. Ozzy Osbourne - How
Nada como um fã dos Beatles para fazer um bom cover, não é?



Versão original


10. White Stripes - I Just Don't Know Waht to Do With Myself
Versão maravilhosa de uma musica muito bonita, sucesso nos anos 60.
O clipe foi dirigido por Sofia Copolla (sim, ela é filha do diretor de O Poderoso Chefão) e Kate Moss como dançarina. A primeira versão foi gravada por Tommy Hunt, mas a canção foi consagrada na voz de Dusty Springfield, em 64.



Versão original


+ Menção honrosa +

I Drove All Night

Não é exatamente um cover... A música foi escrita para Roy Orbison que gravou a música em 87 mas não foi liberada porque "não ia fazer sucesso"... Então a Cindy Lauper gostou da música, gravou em 89 e virou hit no mundo todo, só assim Roy Orbison pôde lançar a versão original .

Cyndi

Roy
A garota do vídeo é atriz Jennifer Connelly
(Réquiem para um Sonho, Labirinto - A Magia do Tempo, Pecados Íntimos)

domingo, 3 de outubro de 2010

True Blood

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Um post sangrento em homenagem as eleições. XD (Well... é rir pra não chorar...)

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True Blood é um seriado sobre vampiros, baseada na série de livros Southern Vampires da americana Charlaine Harris, que vem sendo exibido desde 2008 pela HBO.

Ultimamente ando um tanto quanto fanática pelo seriado, pois uma amiga fez o favor de baixar as três temporadas e me passar para dar uma olhada... resultado: vício, assisti tudo em uma semana e meia. TENSO

Ok, agora uma explicação básica para quem ainda não conhece True Blood.

Os japoneses (ou será que foram os chineses [?], tenho péssima memória... enfim, um desses) criaram um tipo de sangue sintético -Tru Blood-, então os vampiros resolveram assumir sua existência para a sociedade, pois com o sangue sintetico não teriam que se alimentar mais de humanos -pelo menos não necessariamente-. O seriadotem direito a uma senadora vampira lutando por direitos iguais para vampiros e humanos, pessoas drenando vampiros para vender o sangue como droga, telepatas e -pasmem- Angelina Jolie adotando um bebê vampiro.

Querem coisa melhor???

Ok, darei 10 razões para assistirem o seriado:

#1 - "Angelina Jolie Adopts Vampire Baby" - impagável, lembrarei disso por anos a fio. Morro de rir cada vez que vejo a cena.

#2 - Os vampiros do seriado são o máximo, se acham o máximo e SABEM que são o máximo.

#3 - 80% da população humana do seriado tm curiosidade sobre como seria... ahm... ter um "relacionamento" com um vampiro. Se é que me entendem...

#4 - O seriado tem sacadas geniais e sabe usar o humor...

#5 - ...sem falar que sabe usar o terror também.

#6 - Tem lobisomens.

#7 - Fala de temas históricos, como 2ª Guerra Mundial, Vikings, etc.

#8 - Não tem NENHUM personagem "certinho", todos têm algum podre no passado. E nenhum vampiro brilha, a única coisa "brilhante" é o Lafayete. XD

#9 - A abertura e a trilha sonora da série são o máximo. Sem falar no marketing...

#10 - ...imagem é tudo...
Preciso dizer mais alguma coisa?

Sites com informações e produtos sobre o seriado:
http://www.hbo.com/true-blood - Site oficial

http://truebloodnet.com/ - Um dos maiores sites sobre a série

http://www.trubeverage.com/ - Site onde se pode comprar garrafas de Tru Blood [obviamente não com sangue, mas com alguma bebida vermelha e tal] cool pra fazer média no universo nerd. XD Também vende camisetas, bonés e copos.

http://www.fangtasiabrasil.com/ - Site em português com o nome do bar vampiro mais famoso do planeta.

http://store.hbo.com/?v=hbo_shows_true-blood - Produtos relacionados a série [se eu tivesse dinheiro compraria tudo.]


Fang Bangers do meu Brasil, boa noite!

...ou como diria a Elvira "unpleseant dreams"!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Geração Dino

9 pessoas comentaram

"Geração Dino" é a minha nomenclatura para a geração do pessoal que assistiu, viveu e respirou Indiana Jones (estréia dos filmes rspectivamente: 81, 84, 89 - o da Caveira de Cristal não conta -) e Jurassic Park (estréia: 93)... Claro que isso não engloba apenas esses doze anos, pois os filmes foram grande sucesso na tv aberta durante os anos 90, logo, temos mais ou menos vinte anos de abrangência para essa geração.


Se eu fiz parte da geração? Claro que sim! Em caso contrário, porque eu estaria escrevendo esse post?
Com muito orgulho fiz parte de uma geração em que as crianças / adolescentes / whatever sonhavam em se tornar arqueólogas ou paleontólogas... ou os dois (ao contrário do povo da geração anterior que sonhava em virar Jedi ou Sith).

Nós tínhamos uma meta, gostavamos dessas profissões e sonhávamos em viver as aventuras que nossos heróis viviam ou se parecer um pouco com eles e ter, pelo menos, um décimo do conhecimento que eles tinham. Estudávamos a fundo o assunto, livros e mais livros de história antiga ou enciclopédias sobre hábitos e características dos dinossauros (no meu caso os dois, mas a pilha dos que tratavam de dinos era bem maior - hehe).

Então eu paro e penso... O que a geração atual, que nasceu depois dos anos 2000, assiste/vive? O que as crianças sonham em se tornar? Assassinos seriais BomBril que matam as pessoas de mil e uma formas diferentes (vide Jogos Mortais, a Floresta e genéricos)? Ou pior ainda... famosos do twitter??? Cantores de funk????? (!)

O que aconteceu com a vontade de fazer algo importante? De lutar por um mundo melhor? De SER alguém melhor? (ok, isso ficou clichê... mas nem por isso deixa de ser verdade). Não é possivel uma mudança dessa magnitude em apenas dez anos! Esse povo tem acesso a tudo via internet e parece que se interessam cada vez menos pelas coisas.

Será essa a "Geração Cegueira"?

Se for... Saramago não está mais aqui para abrir seus olhos... Só nos resta rezar para que leiam seu legado.


Dinos do meu Brasil, se após esse post virem um luz no fim do túnel... corram, só pode ser um trem. Pois nós estamos sendo extintos e virando peças de museu.

terça-feira, 22 de junho de 2010

O aquário

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Escrevi isso a mais ou menos um ano atrás - ouvindo música francesa e tendo faniquitos -. Sabem aqueles surtos depressivos em que ficamos super poéticos? Pois é... algo do gênero.

Obs.: No final do post tem um vídeo com a adaptação de um texto Mário Quintana que acho muito bonito e que tem a ver com a história.


O aquário

Dor, felicidade, amor, vida, ódio, ganância, castigo, morte, confiança, tristeza, pensamento, sentimento... O que é a vida? E como vivê-la?

Eterna coadjuvante de minha própria existência, encontrei uma razão para viver, mas o que fazer ao pensar que essa razão pode morrer? Valeria a pena continuar vivendo caso isso acontecesse? Ó coração tolo, que teima em misturar as coisas, entenda que sua felicidade não é mais sua, só dela...

Passam-se os anos, olho para trás, tantas palavras que não deveriam ter sido ditas, as que deveriam e não foram, sonhos esquecidos, sorrisos perdidos... dias, horas, meses, anos... agora apenas vaga lembranças. Será que eu era mais feliz nos tempos de infância? Brincadeiras solitárias com pequenos bonequinhos, desenhos exagerados, formas modeladas em massinhas coloridas... Talvez eu apenas visse as coisas de forma mais simples... Há quem diga que pessoas não "são" felizes, "estão" felizes, eu, de certa forma concordo com isso, felicidade é um estado de espírito, você pode ter "tudo" e ver que não se sente feliz, nem ver felicidade em mais nada, se acostumar a não interagir com a própria vida, apenas sentar e vê-la passar... ou pode não ter nada, mas ficar feliz ao ver um sorriso sincero vindo da pessoa amada... a felicidade está nas pequenas coisas.

Tempos mudam, pessoas mudam... - mais do que eu gostaria, diga-se de passagem - mas eu também mudei, com o passar dos anos meus gostos, pensamentos, sonhos e opiniões foram se modificando, mas ainda sim, como na fábula da rã e do escorpião, a natureza permanece intacta. Faz parte da natureza do escorpião destilar seu veneno, assim como faz parte da natureza da águia voar, da natureza do peixe nadar, da natureza do pequeno pássaro cantar... Mesmo preso em uma gaiola, sabendo que nunca poderá ser livre para viver com os outros pássaros.

É da natureza do pássaro cantar... e da minha, mesmo aprisionada em um aquário dentro do mar virtual, amar-te, eternamente, até o fim de meus dias.
Um peixe... enamorado de um pássaro...




*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
Velha História - Mário Quintana

sábado, 12 de junho de 2010

Os 10 melhores "Opening Credits"

7 pessoas comentaram
Hoje farei um post um pouco diferente.
Estava já a algum tempo pensando em fazer um post do tipo "top 10", então resolvi fazer uma lista dos melhores créditos de abertura que já assisti.
Espero que gostem =)

Enjoy!

1 - Watchmen


Esta é, com certeza, a melhor sequência de abertura que eu já vi. Maravilhosamente bem feita, mostra vários fatos históricos sendo alterados ou causados por atos dos "vigilantes". No final do post podem acompanhar um vídeo com explicações de tudo que é citado nessa sequência de Watchmen.
Obs.: Destaque para a cena inicial onde um dos vigilantes salva o pai de Bruce Wayne, impedindo assim o surgimento do Batman e para a referência à Santa Ceia.

2 - Laranja Mecânica



Stanley Kubrick era um gênio, nem preciso comentar.
O contraste de cores... a música... a cara de psicótico do Malcomn McDowell, tudo isso faz dessa sequência um clássico do cinema.

3 - Perfume - A História de Um Assassino

Filme maravilhoso dirigido com maestria por Tom Tykwer (Corra Lola, Corra - que também está presente aqui na lista) e baseado no livro homônimo de Patrick Süskind, ao qual segue fielmente.
O filme abusa das cores, dos contrastes, dos closes... tudo isso para dar a noção de cheiros ao espectador. A abertura já mostra exatamente o que devemos saber sobre Grenouille... o rosto dele, quem ele é... não importa, só o olfato importa., o personagem é o que cheira e ele vive - e mata - por isso.
Obs.: Não encontrei apenas os créditos, então comentei a abertura como um todo. Para quem tiver interesse, o resto do filme está nos vídeos relacionados.

4 - Star Wars

Creio que por ser uma das mais famosas sequências de abertura da história do cinema. dispensa maiores comentários. hehe

5 - Zumbilândia

Forma de abertura semelhante a de Watchmen e tão bem feita quanto.
Muito interessante a maneira como utilizaram o efeito de câmera lenta, sem falar na idéia de colocar zumbis nas situações mais improváveis, como casamentos, incêndios, gincanas escolares etc... o que já dá desde o início, de forma mais elaborada, o tom de comédia que o filme propõe.

6 - O Diário de Uma Babá

Primeiramente gostaria de avisar a você que está pensando: "O quê??? Comédia romântica? Nãããão! Volte para o lado negro da força!" que sim, comédias românticas podem ser legais quando bem feitas e essa é um ótimo exemplo disso.
Eu acho maravilhosa e super inteligente a forma como fizeram a abertura desse filme. A idéia de colocar as pessoas como exemplares de museu das quais a personagem principal (que é antropóloga) narra o comportamento da espécie é ótima.
O filme é baseado no livro The Nanny Diaries de Nicola Kraus e Emma McLaughlin e tem Alicia Keys no elenco.

- Pode ser encontrado inteiro no youtube.

7 - Corra Lola, Corra

Também do diretor Tom Tykwer, esse é um filme muito interessante que retrata bem a idéia de tempo, velocidade, sincronia; Rent Lolla, Rent também faz um mix de filme com animação.
Creio que esses opening credits já definem o que se deve esperar do filme.
Destaque para a trilha sonora techno que encaixa perfeitamente no contexto da obra.

8 - Fahrenheit 451

(Não se assustem com o tamanho, a abertura é apenas o primeiro minuto do vídeo)
Filme de François Truffaut, baseado no livro de Ray Bradbury.
Fahrenheit 451 se passa em um futuro próximo onde ler é algo ilegal, as pessoas assistem e interagem com suas TV's e os bombeiros são encarregados de queimar livros.
A abertura desse filme é interessante justamente pelo fato de não haver nada "legível", todos os créditos são falados enquanto é enfatizada a idéia de que todas as casas tem antenas de TV.
Filme muuuuito bom.

9 - Grandes Esperanças (1998)


Dirigido por Alfonso Cuarón, Grandes Esperanças é uma adaptação moderna da obra de Charles Dickens, o filme é de uma sensibilidade extrema e consegue tocar o especatador através da união de sons e imagens conduzidos de forma impecável pelo diretor.
Um dos filmes mais lindos que já assisti (e um dos únicos a me fazer chorar, diga-se de passagem). Super recomendado!
- Não consegui a abertura inteira com as pinturas lindas que aparecem no início, assim que eu conseguir, posto aqui, mas acho que já da pra ter uma idéia pelo trechinho acima -

10 - Alien


Um filme que foi feito com um orçamento baixíssimo e que se tornou um clássico da ficção científica. Os créditos juntamente com a trilha sonora levam o espectador para a atmosfera de tensão que vai se estender por todo o filme.

Menção honrosa - Planeta Terror

A abertura desse filme já vale pelo cuidado do diretor Robert Rodriguez em relação a imagem e a trilha sonora; as falhas e a aparência corroída do filme... toda essa questão... Afinal foi o próprio Robert que criou a trilha sonora e editou o filme.
Diretores Bombril não se acham em qualquer lugar. hehe

Obs.: O fato da abertura mostrar que a personagem principal é uma dançarina é um ponto interessante, uma vez que ela perde a perna no decorrer do filme.

- Referências Watchmen


quarta-feira, 28 de abril de 2010

O Corvo - Tradução de Machado de Assis

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Em certo dia, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais".
Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;

Cada brasa do lar sobre o colchão refletia
A sua última agonia.
Eu ansioso pelo Sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará mais.

E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui, no peito,
Levantei-me de pronto, e
"Com efeito, (Disse), é visita amiga e retardada "
Que bate a estas horas tais.
"É visita que pede à minha porta entrada:
"Há de ser isso e nada mais".

Minh'alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo, e desta sorte
Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
"Mas como eu, precisando de descanso "
Já cochilava, e tão de manso e manso,
"Batestes, não fui logo, prestemente, "
Certificar-me que aí estais".
Disse; a porta escancar, acho a noite somente,
somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra
Que me amedronta, que me assombra.
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, com um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro co'a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
"Seguramente, há na janela
Älguma coisa que sussurra. Abramos,
"Eia, fora o temor, eia, vejamos
"A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais,
"Devolvamos a paz ao coração medroso,
"Obra do vento, e nada mais".

Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante.
Tinha o aspecto de um lord ou de uma lady.
E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta em um busto de Palas:
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gosto severo, - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas
"Vens, embora a cabeça nua tragas,
"Sem topete, não és ave medrosa,
"Dize os teus nomes senhoriais;
"Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o corvo disse: "Nunca mais".

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que eu lhe fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Coisa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta a dizer em resposta
Que este é seu nome: "Nunca mais".

No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário.
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda sua alma resumisse,
Nenhuma outra proferiu, nenhuma.
Não chegou a mecher uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
"Tantos amigos tão leais!
"Perderei também este em regressando a aurora".
E o corvo disse: "Nunca mais!"

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
"Que ele trouxe da convivência
"De algum mestre infeliz e acabrunhado
"Que o implacável destino há castigado
"Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
"Que dos seus cantos usuais
"Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
"Esse estribilho: "Nunca mais".

Segunda vez nesse momento
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
E, mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera,
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais".

Assim pôsto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranqüilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da Lâmpada caíam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam
E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível:
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
"Manda repouso à dor que te devora
"Destas saudades imortais.
"Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora".
E o corvo disse: "Nunca mais".

"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta sempre, escuta:
Ou venhas tu do inferno
"Onde reside o mal eterno,
"Ou simplesmente náufrago escapado
"Venhas do temporal que te há lançado
"Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
"Tem os seus lares triunfais,
"Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?"
E o corvo disse: "Nunca mais".

"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
"Por esse céu que além se estende,
"Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
"Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
"No Éden celeste a virgem que ela chora
"Nestes retiros sepulcrais,
"Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"
E o corvo disse: "Nunca mais!"

"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Cessa, ai, cessa! (clamei, levantando-me) cessa!
"Regressando ao temporal, regressa
"À tua noite, deixa-me comigo...
"Vai-te, não fique no meu casto abrigo
"Pluma que lembre essa mentira tua.
"Tira-me ao peito essas fatais
"Garras que abrindo vão a minha dor já crua"
E o corvo disse: "Nunca mais".

E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais.

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